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8 de dezembro de 2014

Educação na infância: erros mais comuns

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Qual papai ou mamãe nunca parou diante de seu filho e já se perguntou: "Onde foi que eu errei?". Malcriações, birras e manipulações de crianças são atitudes que normalmente levam os pais a fazerem tal pergunta.

 Não se desespere, afinal educar não é fácil. Mas também não é um bicho papão. Aprendemos com os erros e quanto mais cedo a falha for identificada, mais fácil de se evitar conflitos entre pais e filhos.

 Existem alguns erros na hora de educar os filhos que parecem bobos, mas que se reforçados e repetidos são capazes de prejudicar o desenvolvimento da criança, mesmo que a intenção dos pais seja a melhor.

 Começando pela alimentação que é uma das principais queixas dos pais. "Meu filho não come", "Tenho que ficar correndo atrás do meu filho para que ele coma" são frases bastante ouvidas pelos pais. Para evitar esse aborrecimento atitudes simples podem ser realizadas desde cedo.

 Nada de aviãozinho, televisão ou barganha para que a criança coma. A criança deve entender que sem a comida poderá ficar fraca, com fome e até doente. Qualquer atitude que faça com que a criança coma sem prestar atenção na comida é ruim.

 A alimentação deve ser colorida, diversificada e balanceada para a criança não enjoar e aprender a comer de tudo e assim evitar qualquer distúrbio alimentar, como obesidade, bulimia ou anorexia.

 Mimar demais a criança não é bom - Outro velho excesso praticado pelos pais: fazer tudo pela criança, mesmo tarefas que já pode realizar sozinha, superprotegendo o filho, é prejudicial ao desenvolvimento social.

 Normalmente essas crianças crescem se achando o centro do mundo, mandando e desmandando em tudo e exigindo até o que deve ser feito no jantar. Não conseguem se adaptar na escola, sentem-se inseguros e tornam-se inseguros e irresponsáveis justamente porque nesse lugar ele será apenas mais um, e não o dono do pedaço.

 Saiba dizer "não" e dê bronca quando realmente for preciso.
 Outro erro comum é negar a dor da criança. Quando a criança rala o joelho numa brincadeira a mamãe com toda boa intenção do mundo tenta amenizar a dor dizendo: "Não foi nada, já passou".

 Fazendo assim, a criança acha que os pais não se sensibilizam a sua dor e tendem a procurar uma outra pessoa, deixando uma mágoa. Ou então, se for excessiva essa atitude dos pais a criança fica insegura aos seus sentimentos não entendendo se sente dor, raiva ou medo já que seus pais dizem que não é nada.

 Quando os pais chamam a quina da estante de boba quando a criança bate com a cabeça é tirar da criança a responsabilidade de cuidados consigo mesma e colocar a culpa no objeto. Isso pode colocar a vida da criança em risco em situações mais graves. Quando ocorrer novamente o incidente, converse sobre a importância de se evitar acidentes e dos cuidados que a própria criança deve ter.

 Deixar o filho ganhar constantemente um jogo só para não vê-lo frustrado com a perda já que não tem a mesma capacidade que a sua faz com que a criança aprenda que a vida é só ganhar. O jogo faz com que a criança espere a sua vez, aceite regras e limites impostas, aprenda a negociar e aceite que a vida é feita de ganhos e perdas.

 E a máxima da educação é o exemplo. A criança aprende com exemplos de quem ela confia que são os pais. Se os pais não têm boas maneiras, não pedem, por favor, não dizem obrigado ou bom dia, comem assistindo televisão ou brigam muito passam esses valores para a criança e é isso que irá fazer. Os filhos são o espelho dos pais.

 Dicas 



  •  Não bata.. procure sempre conversar com seu filho. 
  •  Não critique ou elogie demais o seu filho. Tanto um como o outro ( se no caso tiver dois ou mais) é prejudicial. O bom senso é a melhor medida. 
  •  Não se culpe pelo erro, filho não vem com manual de instruções. Só não insista no erro já detectado. Na dúvida, procure sempre um especialista para te orientar. 


27 de outubro de 2014

Educação Positiva

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Ser mãe é padecer no paraíso. Pelo menos é o que sempre disse a minha avó. E ela deve ter razão. Sofremos com resfriados, choros, manhas, gritos, mas amamos hoje como se nem soubéssemos da existência do amanhã. Deve ser mesmo padecer no paraíso.

E nesse padecimento surge um problema que sempre me pegou em cheio: como educar uma criança, fazendo-a digna de seu caráter, de sua atitude e sua humanidade. Pergunto-me isso, pois acredito na individualidade de cada ser e, sendo assim, o que é bom e certo para mim, pode não ser para você (ou para a Giulia). E entro em uma contradição ferrenha sobre o que fazer e como fazer, quando a questão é educar.
Mas tem algo que eu acredito, sei e reforço a tese de que: violência não é um ato de educação. E seja a violência física, verbal ou psicológica; e seja a educação formal, informal ou humanitária.
Educar não é sinônimo de violentar.
E quando se educa, o faz com amor (mesmo que, às vezes, sem paciência. Afinal, somos humanos, e que atire a primeira pedra quem nunca perdeu um pouco a paciência com os pequenos).
E na ânsia de educar sem violência, a gente se depara com a educação positiva, aquela que incentiva, agrada, planeja e, acima de tudo, respeita a individualidade do outro, seja esse outro um qualquer ou seu próprio filho.
Educar positivamente é o que eu faço aqui em casa, com a minha filha, mostrando-a que existe adversidade no mundo, que nem tudo o que ela deseja ela pode ter e que tudo na vida necessita de esforço e persistência, mas que, feito com amor e respeitando a vontade de fazê-lo, assim acontecerá.
Em casa, atualmente, minha pequena se frustra porque não pode brincar com o que ela quer ( controle, colheres, até mesmo com o danoninho que ela toma), ou porque, simplesmente, ela se recusa a tomar banho naquele horário e começa com as manhas dela.
Mas são nessas pequenas frustrações que educamos nossos pequenos para o mundo em que vivemos.
 Educar positivamente é o lema aqui de casa. E é o lema da casa de muitas amigas mamães.
E pra demostrar isso, um texto lindo e encantador de uma amiga que também descobriu, na pele, que a educação positiva é a melhor forma de educar.
Divirtam-se meninas.

 Mãe metamorfose. Quando a ironia da palmada me pegou em cheio.

Ao longo desses pouco mais de dois anos desempenhando a melhor função que já tive na vida, “ser mãe”, eu já mudei de ideia inúmeras vezes. Isso porque sou um ser humano em plena “metamorfose”. Eu penso, logo existo, e desisto também. E acho normal. Como ser humano, sendo eu um ser “pensante”, me dou total liberdade de rever conceitos e mudar de ideia sempre que considero necessário, coerente e plausível. Me permito analisar a ideia do outro, e ver se serve pra mim. E se servir uso. Se não servir, respeito. Simples assim.

Eu, que antes era uma pessoa que temia grandes mudanças, na maternidade experimentei uma das maiores mudanças da minha vida, a minha própria mudança. A transformação do meu eu interior, das minhas lógicas e filosofias, das minhas mais profundas crendices, e dos meus mais terríveis medos. Tudo isso mudou. E eu vivo em confronto diário com a minha própria sombra, revendo meus medos, repensando meus critérios, recolocando as ideias no lugar, e desorganizando tudo de novo quando me vejo diante de uma nova fase de desenvolvimento da minha filha, ou do meu próprio desenvolvimento como ser humano, como mulher e como mãe.

Eu confronto constantemente as minhas antigas concepções sobre como criar um filho. Algumas eu ainda as mantenho, eu acho, outras já vi e revi e mudei de conceito algumas ou muitas vezes.

Quando pari (ou quase pari) minha filha, eu jurava que não permitiria dormir na mesma cama, que não amamentaria por mais de 18 meses, que ia corrigir com palmadas, porque afinal fui educada assim e não morri me tornei alguém descente. Né?

Não! Eu me tornei alguém descente porque levei palmadas pouquíssimas vezes na vida, e mal me lembro delas, aliás, só me lembro de uma única vez. E não! Eu não morri, mas de fato entendi que não estou aqui para criar sobreviventes. Assim como meus pais não me criaram, à mim e meus irmãos como sobreviventes de uma espécie que está sucumbindo às mazelas de uma sociedade corrompida e ultrapassada.

Eu fui amparada pelo colo e afago da minha mãe e do meu pai sempre que precisei. Eu me lembro de uma infância feliz, cheia de risos e sorrisos. De me esconder dentro do guarda-roupa e quando meu pai me encontrava, ele ria comigo e não me “corrigia” com palmadas. Ele me pedia para não amassar muito as roupas e só. Era ele mesmo quem me colocava no maleiro do guarda-roupa, e fechava as portas e ia mandar minha mãe me procurar. E ela se fingia desesperada: “Cadê ela? Meu Deus ela fugiu?” Era a maior diversão. Meu pai era meu cavalinho, meu avião, meu super-herói. Minha mãe minha amiga, minha vizinha, a médica das minhas bonecas, a caixa do supermercado e a avó que vinha visitar as netas na minha casinha de bonecas. Ah! Eles eram também meus arquitetos que construíam cabaninhas de lençóis e cabos de vassouras incríveis. Meus pais foram bons pais.

Tenho poucas lembranças de cenas onde eu era corrigida de forma violenta, com gritos e torturas emocionais. Lá pela adolescência, a coisa desandou um pouco, minha mãe esteve doente, e isso feriu um pouco nosso relacionamento. Mas águas passadas e feridas fechadas. A infância em si foi uma grande aventura. E se me tornei alguém de bem, é porque fui amada e amparada, e não porque recebi palmadas em algum dado momento da minha infância.

Mas eu, ainda assim, tinha em mente aquela ideia fixa: “dar palmadas para corrigir e educar!”. E por quê? Porque há uma imensa necessidade de aceitação. E a sociedade só aceita pais rígidos. Aqueles que dão muito colo e muito afeto são vistos como “mimadores”, que estragam os filhos e criam adultos dependentes e problemáticos. E eu passei a perceber que a coisa não é bem assim. Eu realmente não conheço nenhum bandido que tenha tido uma infância repleta de amor e acolhimento.

E mal Manuela nasceu e eu já comecei a mudar meus conceitos. A cama compartilhada, o que pra mim era algo desnecessário e abominável, ferramenta de uma dependência preocupante, passou a ser parte da nossa vida de maneira espontânea e muito agradável. Aos poucos, Manuela ganhou seu espaço conosco e lá permaneceu, até… Até quando ela precisar disso e nos sentirmos bem assim. A amamentação, bom, são quase 27 meses e sem previsão de desmame.

E sobre a palmada? Eu não precisei dar uma palmada para sentir que ela pode doer muito, até mesmo em mim e ferir uma alma muito mais do que fere a pele. A dor da minha filha sempre doeu em mim, e se dói em mim, é porque nela a dor deve ser muito maior.

Foi assim que eu comecei a repensar isso. Lendo relatos, histórias, artigos e matérias sobre disciplina positiva que eu fui aos poucos mudando de opinião. Até que um dia, ela, ao auge dos seus dois anos, se negou a recolher os brinquedos do chão: “NÃO!” Redondo, cheio de si e de ego. Eu, claro, fui me irando a cada não que recebia. E perdi a linha. Falei alto com ela. E ela, chorou. Chorou muito, profundamente, dolorosamente, sentimentalmente, como se eu a tivesse espancado, mas não apenas ao seu corpo físico, mas também o mais profundo de sua alma.

Ela chorou, e eu chorei também. Por desespero, por arrependimento, porque sabia que não precisava ter feito aquilo, porque eu percebi que a feri, porque tinha consciência de que eu era seu porto seguro e falhei, e a afastei de mim. Quando tentei abraça-la, ela prontamente me abraçou, para minha doce surpresa. Crianças sempre perdoam mais prontamente. E em meio aos soluços do choro doído, acarinhou os meus cabelos e disse: “Desculpa mamãe”. Mas quem devia um pedido de desculpas era eu. Eu provei na minha pele a dor da minha própria ira porque ela feriu alguém a quem eu amo mais do que à mim mesma. Eu chorei por longas horas, mesmo depois de ela ter parado de chorar e voltado a brincar. Eu chorei por dias. Na verdade ainda choro quando me lembro do terrível erro que cometi quando gritei com ela.

Daí por diante eu comecei a buscar mais e mais informações sobre como educar sem violência. E aplicando a disciplina positiva, vi que ela dá muito mais resultados, e Manuela responde melhor a ela do que aos gritos opressores. Eu entendi que não preciso conservar os velhos hábitos, a tradição passada pela sociedade de que bater para educar é bom. Eu aprendi que amar é mais válido, que acolher dá mais resultado, que incentivar tem maior efeito. E mais uma vez eu me permiti mudar. Mudar de ideia, de opinião e de ação. Para satisfazer uma necessidade pessoal de criar minha filha com respeito.

Eu venho mudando constantemente desde que nasci. Mas, mais vigorosamente com a maternidade.  E me sinto bem assim, mesmo que às vezes perdida, mesmo que perdendo amizades. Não importa. É renovador. Mudar pode ser assustador, mas é necessário. E faz bem!

Ser mãe me trouxe a incrível experiência de autoconhecimento e auto aceitação. Eu ainda não sei bem quem sou, mas sei quem quero ser. Alguém em constante mudança e adaptação, buscando sempre ser o melhor que consegue. Se não por mim, por ela, que é a razão da minha existência.

A maternidade me libertou do comodismo e do politicamente correto para vivenciar integralmente a maior e melhor experiência da minha vida.